Segundo Lígia Guerra, a ideia de expor as fotografias surgiu a partir do trabalho desenvolvido pela ensaísta durante o período em que esteve morando na Espanha, entre 2002 e 2006, época em que escreveu e defendeu sua tese de doutorado cujo tema é a velhice humana. "Eu não sou fotógrafa, sou uma admiradora da fotografia, e por isso, registrei idosos em vários contextos na Europa e no Marrocos. Essa exposição é resultado dessa pesquisa, e tem o objetivo de chamar a atenção da sociedade para o fato de que a velhice interessa a todos os setores, seja a escola, a universidade, e tantos outros", explica a ensaísta.
De acordo com Lígia Guerra, Mossoró possui hoje aproximadamente 24 mil pessoas com idade acima de 60 anos. "Atualmente 9% da população relativa da cidade é idosa, e o que vemos hoje é um quadro de desrespeito, desvalorização com essas pessoas, por isso nós queremos travar uma discussão para debatermos essa questão", destaca, acrescentando: "Como sou ensaísta, convidei o repórter fotográfico Fred Veras para me auxiliar nesse projeto. Na exposição, há 19 fotos minhas, que registram a velhice na Europa e no norte da África, e 11 dele, que retratam o idoso em Mossoró e na região".
Questionada a respeito das principais diferenças visualizadas por ela na maneira como os idosos são tratados nos países em que suas imagens foram registradas e no Brasil, Lígia Guerra é enfática: "Lá eles são mais respeitados, as políticas públicas funcionam melhor. Na Europa existe pobreza, desvalorização, mas não é regra, é exceção, já aqui o idoso é desrespeitado desde a parada de ônibus, onde se estiver sozinho, o motorista sequer para, e o deixa subir", conta.
Apesar das dificuldades enfrentadas por aqueles que alcançam a velhice no Brasil, Lígia Guerra diz que as fotografias de Fred Veras mostram uma peculiaridade: os idosos do país demonstram alegria, e principalmente esperança. "Eles têm muita fé, são imagens que mostram alegria, esperança. Claro que existem aquelas mais impactantes, de maior expressividade, mas os idosos brasileiros são muito esperançosos", enfatiza a ensaísta.
A exposição "Dor e Prazer nas rugas", continua exposta no MRM até o próximo dia 26, com visitação aberta das 17h às 21h, de terça a domingo. "Na abertura, conseguimos reunir cerca de 300 pessoas, e é muito gratificante esse retorno das pessoas, poder associar ciência e arte, além da solidariedade, uma vez que na abertura, sugerimos que os visitantes levassem fraldas geriátricas, uma forma de entrar no tema. Com a exposição, nossa ideia não é negar a velhice, e sim apresentá-la como um estágio da vida, onde devemos vivê-lo de forma plena", esclarece, revelando ainda que em 2012, as fotografias serão expostas em escolas das redes municipal e estadual de ensino de Mossoró.
Nenhum comentário:
Postar um comentário