Wilson Moreno
Todos os anos eles saem às ruas anunciando a chegada da folia de Momo. Divididos em grupos, formados segundo o bairro ou o vínculo de amizade, garotos de diferentes idades improvisam fantasias e cobrem o rosto, pedindo moedas e doando alegria, enquanto dão continuidade a uma brincadeira que já é tradição em Mossoró.
Os ursos se reinventam a cada ano e, embora o número de crianças e adolescentes que participa da brincadeira seja bem menor do que em anos anteriores, para quem está no grupo não falta animação e disposição para sair às ruas.
No bairro Abolição III, uma turma composta por nove meninos, com idade entre nove e 14 anos, deram início aos percursos na quarta-feira passada, 9, e só pretendem parar depois do carnaval. A equipe conta que a saída tem hora marcada, já o roteiro é flexível e se estende por diferentes bairros da redondeza, percorridos até o início da noite, horário em que os meninos retornam para casa.
Nícolas Soares, de 14 anos, o mais velho do grupo, diz que desde ‘criança’ sai com os ursos pelas ruas da cidade.
As fantasias, segundo ele, são confeccionadas pelas próprias crianças, com o dinheiro doado pelas mães. Feitas em TNT, as roupas demoraram, de acordo com os próprios ‘ursos’, cerca de cinco a dez dias para ficar prontas. Concluído o trabalho e, devidamente fantasiados, eles pedem moedas e se divertem. O objetivo é guardar todo o valor arrecadado e, ao final do período carnavalesco, dividir entre todos os amigos.
Mas a brincadeira também tem lá suas desvantagens. “É ruim porque os cachorros correm atrás da gente”, diz Cléberson, o caçula da turma.
No bairro onde moram, o único grupo de ursos existentes é o deles, mas durante o passeio a turma encontra outros grupos e continua com o batuque pelas ruas da cidade.
Crianças do bairro Abolição III aproveitam para juntar moedas enquanto se divertem
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